Três painéis repletos de pinturas idênticas chamam a atenção de quem passou pela praça Saldanha Marinho sexta à tarde. De longe, parecem desenhos de árvores secas feitos de nanquim. Mas quem se aproxima do artista plástico Rodrigo Lourenço enquanto ele constroi sua arte tem uma surpresa… macabra, talvez. O que parecia uma árvore no inverno é, na verdade, uma pata de galinha morta carimbada numa folha de papel com tinta tipográfica.
O artista trabalha a ideia de seriação, como se a vida fizesse parte de uma linha de montagem, levantando questões filosóficas pertinentes à obra de arte. Ele trabalha principalmente com a temática dos animais, que é uma crítica ao modo como o homem trata o animal, como se este fosse um objeto de consumo e nada mais. Mas o autor também trabalha com seriação do ser humano e acredita que nós somos muito parecidos com as galinhas.

Foto: Marcelo De Franceschi
Painéis com gravuras grampeadas.
Rodrigo utiliza uma pata de galinha ressecada embebida em tinta preta e pequenas folhas de papel. “É o meu trabalho portátil, já levei esse mesmo trabalho pra São Paulo, Recife e Florianópolis”, conta. Quando possível, ele utiliza uma galinha inteira. “As pessoas acham muito lindo, vêm elogiar, e quando eu falo que é uma galinha morta, ficam com nojo”, comenta o artista.
A espontaneidade também é uma característica da obra, porque Rodrigo não procura fazer todas as gravuras em série, todas idênticas, apesar de parecerem, no primeiro olhar. Você pode conferir outras obras do artista porto alegrense no seu blog ou no blog da feira de arte contemporânea que ele organiza em Porto Alegre, a Feira Desvenda.
Texto: Gabriela Loureiro
Tags: artes plásticas































